Aplicação

No início desta década ficou claro que a tecnologia RFID (Radio Frequency Identification) iria revolucionar a logística da cadeia de suprimentos, da manufatura ao varejo, revelando-se pronto para provocar uma transformação mundial na cadeia de suprimentos, tanto em termos de visibilidade quanto de gerenciamento.
 
Assim, a HP começou a investigar como o RFID poderia gerar melhores resultados para a companhia, seus parceiros e clientes e verificou que a tecnologia poderia desempenhar duas grandes funções. Primeiramente, forneceria meios de identificar unicamente um objeto com um baixo custo, habilitando uma transformação em toda cadeia de suprimentos. Em segundo lugar, usar o RFID em combinação com outras tecnologias de sensoriamento e informação tornaria possível a rastreabilidade de objetos em ambientes físicos para propósitos além do gerenciamento da cadeia de suprimentos, resultando em uma infraestrutura eletrônica inteligente e que estaria constantemente monitorando o ambiente físico ao seu redor. Tal infraestrutura poderia ajudar a aumentar a visibilidade e controle sobre os eventos do mundo físico que norteiam decisões de negócios.
 
Buscando demonstrar de que forma melhorias e eficiências na cadeia de suprimentos poderiam ser obtidas por meio da tecnologia RFID, em 2002 a HP lançou uma importante iniciativa, em grande parte sob os auspícios do Grupo de Imagem e Impressão (IPG), para melhorar processos de fabricação e para entender como fazer o RFID trabalhar a favor dos clientes. Assim, quatro de suas fábricas nos EUA, duas em Manchester, Virginia, e duas em Memphis, Tennessee, iniciaram a etiquetagem de caixas e pallets, utilizando a tecnologia RFID, visando a atender a requerimentos do Wal-Mart e do Departamento de Defesa dos EUA (Department of Defence – DoD).
 
Em 2004 a companhia decidiu expandir a aplicação do RFID ao nível do produto (item level) o que antecipava a aplicação da tecnologia para rastrear produtos na cadeia produtiva. Deu-se início então a uma importante iniciativa no Brasil: dentre 25 outras localidades, a HP escolheu o país como piloto mundial para uso da tecnologia aplicada a item, empregando RFID na fabricação de equipamentos do setor de imagem e impressão.
 
A escolha foi feita pelo fato de o Brasil ser a única unidade do grupo com a cadeia de suprimentos end-to-end em uma única localidade. Ou seja, o ambiente em que foi implementado o projeto caracterizava-se pela concentração completa de toda cadeia de suprimentos criada pela HP para atender aos mercados brasileiros e da América Latina, incluindo o recebimento da matéria-prima dos fornecedores locais e do exterior, manufatura de produto semiacabado, embalagem do produto, estoque da matéria-prima e produto, centro de distribuição, canais de vendas e operação de reparo. Nesse contexto, a HP Brasil tornou-se um ambiente único para a implementação desse novo conceito de controle da cadeia de suprimentos.
 
Devido à alta abrangência do projeto e à condição de tecnologia nascente em que o RFID se encontrava em 2004, foi necessário suporte para a implementação, pesquisa e desenvolvimento. Por esse motivo, a HP Brasil estabeleceu em Sorocaba um laboratório específico para teste e desenvolvimento da tecnologia: o Centro de Excelência em RFID – RFID CoE.
 
Durante o desenrolar do projeto, algumas das novas funcionalidades, ou novos processos, foram testados nesse laboratório, antes de serem efetuados pilotos no ambiente de produção. Esta abordagem foi adotada para aumentar o sucesso de qualquer nova implementação na produção.
 
Em 04 de dezembro de 2006, menos de dois anos após sua concepção, o RFID CoE teve sua reputação de qualidade e integridade reconhecida pela EPCglobal, organização sem fins lucrativos cuja missão é proporcionar a adoção comercial do Electronic Product Code (EPC) nas cadeias globais de abastecimento, que lhe concedeu o selo de laboratório credenciado (EPCglobal Accredited Performance Test Center). Isso o tornou o primeiro laboratório do Brasil a constar da lista de associados dessa importante entidade reguladora.
 
Ao mesmo tempo, a área de pesquisa e desenvolvimento do Centro de Excelência continuou a estudar e a desenvolver novas formas de aplicação da tecnologia. Dentre seus projetos de pesquisa aplicada destacam-se o Smart Shelf , uma solução baseada no uso de RFID em prateleiras servindo como mecanismo para monitorar a demanda de cartuchos em varejistas e provedores de serviços de impressão, e o Smart Bin solução para coleta de cartuchos, baterias ou pilhas, também utilizando a tecnologia RFID.

O próximo passo foi melhorar o nível de integração da logística para os cartuchos de tinta HP. Os produtos foram identificados por meio da tecnologia RFID e a informação compartilhada entre os parceiros da cadeia foi aprimorada, antecipando o uso da tecnologia no ponto de venda, em um primeiro passo para troca de informações entre objetos (things)  com a internet. Desde então, ao longo de mais de 10 anos, a HP tem feito esforços para criar uma integração ponta a ponta com o restante da cadeia , investindo tanto na parte de automação de suas operações industriais quanto na integração dessa automação com o restante da cadeia de valor. Com o projeto Exceler8 , em 2016, a HP faz a convergência de RFID em todo o ciclo produtivo com a computação em nuvem, permitindo a integração  do mundo físico com o mundo digital, gerando uma cadeia de valor muito mais dinâmica, mais ágil.

Com tecnologia embarcada, a HP está  levando seus negócios para o mundo digital, através de relatórios impulsionados por dados, dispositivos conectados, software baseado em nuvem com segurança aprimorada e força de trabalho inovadora, caminhando na construção de uma indústria 4.0 no país, o que lhe vem rendendo várias premiações nacionais e internacionais.